sexta-feira, 4 de outubro de 2024


 O Chamado do Além

 Em uma sala mal iluminada, cercada pelo silêncio absoluto da noite, um antigo tabuleiro de Ouija repousava no centro da mesa. As velas, dispostas em círculo ao redor do tabuleiro, projetavam sombras inquietas nas paredes, como se o próprio ambiente estivesse vivo, esperando pelo que viria a seguir.

A madeira envelhecida do tabuleiro estava repleta de marcas e cicatrizes do tempo, com as letras gravadas à mão quase desbotadas pelo uso. O plano de fundo, negro e profundo, parecia engolir a luz das velas, criando uma sensação de vazio. No meio, a planchette, pequena e frágil, convidava os presentes a deslizar seus dedos sobre sua superfície, prometendo respostas do desconhecido.

Eles se sentaram, olhos tensos, mãos trêmulas. Não sabiam ao certo o que esperavam encontrar, mas o desejo de desvendar os segredos do além era maior do que o medo. O ambiente, antes calmo, tornou-se denso, como se uma presença invisível os estivesse observando.

— Há alguém aqui? — A voz quebrou o silêncio, ecoando entre as paredes.

Por um momento, tudo permaneceu imóvel. Mas então, quase imperceptivelmente, a planchette começou a se mover. Lentamente, desenhou um arco suave até a palavra "Sim".

Um arrepio percorreu a espinha de todos. O ar parecia mais pesado, e as velas tremularam como se algo ou alguém estivesse passando por elas.

— Quem... quem é você? — A pergunta saiu quase num sussurro, como se temessem a resposta.

O movimento foi mais rápido desta vez. A planchette correu de letra em letra, formando palavras que contavam uma história. Uma vida interrompida. Um segredo escondido nas sombras. Uma alma presa entre os mundos, buscando redenção, ou talvez... vingança.

A tensão na sala crescia. As respostas não eram claras, mas a presença se fazia sentir cada vez mais forte. Algo estava aqui, algo que não queria ser perturbado.

De repente, as velas se apagaram, mergulhando a sala na escuridão completa. O frio se infiltrou pelos ossos de todos os presentes. Eles perceberam, tarde demais, que haviam aberto uma porta que não sabiam fechar.

A planchette, agora movendo-se por conta própria, correu para a palavra final, clara e definitiva: "Adeus"

Mas mesmo com a despedida, o silêncio parecia diferente. O que quer que fosse, ainda estava ali, à espreita. O tabuleiro de Ouija, agora imóvel, continuava a emanar um mistério sombrio. A pergunta que restava era: o que eles haviam trazido de volta?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  A Fascinação dos Anti-Heróis nos Romances Contemporâneos Em uma era onde os romances clássicos sempre nos traziam o ideal do herói virtuos...