Quanto mais o tempo passa mais sinto que estou me perdendo é como se eu não me conhecesse mais...
No abismo da minha existência, eu me afundo na escuridão sem fim, onde o caos é a única constante. Não quero sobrecarregar ninguém com as sombras que me consomem, mas a verdade é que tudo o que faço desmorona em um fracasso retumbante. A energia me escapa, e o ânimo se dissolve em nada.
O medo de ser vista como dramática me paralisa, um medo profundo e constante de expor minhas cicatrizes internas, as que não podem ser vistas. Eu já tentei escapar dessa realidade insuportável mais vezes do que consigo contar e busquei alívio na automutilação, pois sinto que sou uma falha, um ser que não merece o toque de algo bom.
Por trás da fachada de uma mulher forte e independente, há uma menina imersa em uma tristeza esmagadora, chorona e desesperadamente carente. O peso dos medos e traumas passados moldaram-me em uma criatura complexada e perdida, bloqueada por mim mesma, incapaz de quebrar as correntes do meu próprio confinamento. Anseio por um retorno à confiança perdida, um desejo de tomar decisões sem ser consumida pelo medo.
A sinceridade se torna uma faca de dois gumes, revelando uma dificuldade em interpretar o simples e o cotidiano. Minha mente se perde em um turbilhão, pensamentos desaparecendo quando alcanço os objetivos que me proponho a conquistar. O excesso de barulho e informação me atordoa, e eu me regozijo quando consigo esboçar algo do que sinto.
Sou competitiva, lutando para entender e enfrentar esses problemas que me assombram, sem saber ao certo o que me aflige ou se o que sinto é algo normal. No fundo, eu sou dominadora, mas meus dias raramente saem como eu desejo. A incerteza sobre quem sou e o que minha alma carrega me atormenta, e a sinceridade com que falo me deixa confusa.
Então, a partir de agora, eu deixarei a vida me levar, navegando na maré incerta. Vou me contentar com os fragmentos de felicidade que consigo encontrar e começar a expressar mais gratidão pela vida e pelas pessoas ao meu redor. Não posso mais esperar que alguém me resgate do fundo do poço; preciso aprender a caminhar com minhas próprias pernas, finalmente enfrentando a escuridão que me cerca.

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