Mentes compulsivas
Eu o observava de longe, eram apenas dez da manhã e o sol quente banhava as ruas com sua luz cruel. Meu único pensamento era a dor dilacerante de saber se Alex estava me traindo.
Durante essas duas semanas, minha rotina se tornou um vigilante constante. Assim que ele saía, calçava meus all stars, vestia meu moletom preto, colocava o boné e os óculos escuros, tentando me esconder nas sombras. Perfeita, talvez. Algo profundo e sombrio dentro de mim sussurrava que ele escondia algo, e eu, em minha obsessão crescente, estava mergulhando em um abismo de loucura e doença.
Vi-o em uma lanchonete, inquieto, digitando freneticamente no celular. Olhei para o meu, esperando ver que ele estava digitando algo para mim. A decepção me atingiu quando percebi que não era o caso.
Uma mulher elegante, loira, com cabelos lisos e brilhantes, e um sorriso branco como a lua, acenava para ele. Meu mundo desmoronou quando o vi se levantar e beijar a garota no rosto. Meu noivo, que se encolhia de vergonha ao falar com qualquer pessoa, estava ali, beijando uma jovem e bela desconhecida.
Aproximando-me discretamente, coloquei o menu à minha frente, fingindo ler, mas mantendo o foco na conversa deles. Falavam sobre casamento, detalhes da cerimônia e flores. Ele dizia que era hora de dar um passo adiante. “Estamos noivos há seis anos,” pensei. “Ele está planejando uma surpresa, e eu, enlouquecida, desconfiando dele.”
Decidi voltar para casa e esperar por ele, uma tolice, considerando que minha mente havia sido dominada pela dúvida sobre o amor da minha vida.
Nas semanas seguintes, ele alegava trabalhar até tarde, sair sem explicações e atender chamadas sem me dizer quem estava do outro lado. Descobri que tudo era para organizar o nosso casamento. Uma sensação de alívio me envolveu.
Quando cheguei em casa, preparei um banho relaxante, me arrumei e me maquiei, ansiosa por sua chegada. Quase duas horas depois, ele entrou, cansado e pedindo para dormir.
Sentei-me no sofá, chamando-o, perguntando o que havia acontecido, preocupada com seu comportamento estranho das últimas semanas. Esperava que ele se abrisse, nervosa, sem saber que o dia que eu tanto esperava estava prestes a se tornar um pesadelo.
Ele me encarou com um olhar impassível e disse que não dava mais, que precisava de um tempo e que eu o sufocava. No instante em que ouvi essas palavras, desabei aos seus pés, sem me importar com o orgulho. Implorei para que ele reconsiderasse, afirmando que nos amávamos e que estávamos prontos para o casamento.
Então, ele pronunciou as palavras que destruíram o meu mundo: “Em momento algum quis me casar contigo. Só quis passar um tempo. Minha ex-namorada reapareceu e é com ela que eu vou me casar. Sinto muito, Daniele.”
Eu sempre estive certa ao segui-lo, sacrificando meus instintos pela ânsia de um futuro ao seu lado. Típico canalha, utilizando o clichê “não é você, sou eu”.
No mesmo dia, ele pegou suas coisas e partiu. Chorei, entrei em pânico, mas depois de um mês, tudo passou. A dor, o caos, eventualmente se dissipam. O que é ruim é ruim, o que é bom é bom. A verdadeira lição é que tudo é passageiro e cada experiência traz um aprendizado. É essencial absorver essas lições, evoluir e não enfrentar a vida com teimosia, pois nem sempre o que achamos ser o melhor é realmente o que precisamos. Aprendi a me valorizar.
Quatro meses depois, encontrei Alex. Seu rosto cansado me viu e ele se aproximou: “Oi Dani, que surpresa te ver, você está muito bonita.”
Nada como um pé na bunda para fazer a gente se cuidar ainda mais. E se antes ele dizia que eu não era bonita, agora, o que importa é que estou ótima. Agradeci e perguntei como estava. Ele me contou que descobriu sua ex-namorada na cama com seu melhor amigo, que ela havia destruído sua vida, e pediu uma nova chance. Eu apenas sorri e disse: “Errar uma vez é humano, persistir no erro é burrice.”
Sim, estou muito bem, melhor sozinha do que mal acompanhada!

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